X Encontro do Consepre encerra com palestra do ministro Fachin e Carta de São Paulo
Com debates voltados à inovação, gestão, desafios
institucionais e fortalecimento do Poder Judiciário, o XX Encontro do Conselho
de Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil (Consepre) encerrou, nesta
sexta-feira (15), a programação sediada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo
(TJSP) desde a última quarta-feira (13). A atividade final contou com palestra
do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de
Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, sobre “A visão do juiz contemporâneo e as
metas do CNJ”. Na sequência, os
participantes acompanharam a leitura da Carta de São Paulo, documento que
consolidou prioridades, diretrizes e encaminhamentos definidos ao longo das
reuniões e painéis do encontro. O
Presidente do Tribunal de Justiça Militar do Rio Grande do Sul, desembargador
Rodrigo Mohr, participou dos três dias de atividades na capital paulista.
Palestra de encerramento
Em sua
palestra, o ministro Edson Fachin abordou os desafios contemporâneos do Poder
Judiciário. Em uma fala marcada pela defesa da independência judicial e pelo
fortalecimento institucional, destacou que as democracias dependem de
instituições sólidas e alertou para movimentos de desgaste da credibilidade do
Judiciário observados em diferentes países. Também ressaltou a necessidade de
preservar valores como ética, discrição e equilíbrio no exercício da
Magistratura diante das transformações tecnológicas e sociais.
Ao
tratar das prioridades do Conselho Nacional de Justiça, o ministro destacou
projetos voltados ao enfrentamento de desafios estruturais da Justiça
brasileira, entre eles a criação da Rede Nacional de Magistrados e Magistradas
com Competência em Criminalidade Organizada, o programa Pena Justa, ações de
proteção à infância e medidas para reduzir o prazo de análise de casos de
violência doméstica contra mulheres. Edson Fachin também defendeu o uso
responsável da tecnologia e da inteligência artificial como instrumentos de
aprimoramento da prestação jurisdicional. “Não devemos nem divinizar nem
demonizar a tecnologia. Precisamos colocá-la a serviço da humanidade e da
inteligência humana. Na prestação jurisdicional, o ser humano permanece
insubstituível e imprescindível”, afirmou.
O
presidente do STF também defendeu o diálogo institucional permanente em temas
relacionados à governança e à estrutura remuneratória da Magistratura,
destacando a importância de balizas nacionais, transparência e segurança
jurídica na condução dessas discussões. Para ele, o Judiciário vive um período
de intensa exposição pública e precisa responder aos desafios atuais com
serenidade, firmeza e compromisso institucional. “O Brasil ainda tem tempo de
reinscrever-se no século XXI, dando boas respostas para esse perfil de um juiz
e de uma Magistratura contemporânea, que honre o pretérito, atue com discrição
e comedimento no presente e saiba arrostar os desafios do porvir. Todos nós
sabemos que o relógio não para, mas se tempus fugit aqui estamos para, juntos,
trabalharmos, refletirmos e dialogarmos”, concluiu.
Ao
final da palestra, o presidente do TJSP, desembargador Francisco Loureiro,
agradeceu ao ministro pela exposição e destacou a importância de suas
reflexões. “Sem um Judiciário independente, íntegro e livre, a democracia não
sobrevive”, afirmou. O presidente do Consepre, desembargador Heráclito Vieira,
ressaltou que as palavras de Edson Fachin ofereceram “nortes e parâmetros
importantes para enfrentar as dificuldades que os gestores dos tribunais
vivenciam”.
Carta
de São Paulo
Na
sequência da palestra do ministro Edson Fachin, foi realizada a leitura da
Carta de São Paulo, que consolida as conclusões e os compromissos firmados
pelos presidentes dos Tribunais de Justiça estaduais e militares do país ao
longo do encontro. O texto reafirma a defesa do Estado Democrático de Direito,
da independência judicial e do fortalecimento institucional do Poder
Judiciário, além de manifestar apoio às iniciativas do Conselho Nacional de
Justiça voltadas ao aprimoramento da governança, da transparência e da
eficiência administrativa. A Carta também destaca a importância de uma
modernização tecnológica responsável, alinhada à melhoria da prestação
jurisdicional.
A Carta
pontua, ainda, ações de reorganização administrativa, como a implementação dos
Núcleos de Justiça 4.0, secretarias unificadas e consolidação do processo
digital, o compromisso com o enfrentamento à violência de gênero, a cooperação
interinstitucional no combate ao crime organizado e a preocupação com a
eficiência do julgamento eletrônico em segundo grau, propondo ao CNJ ajustes
normativos que considerem as realidades regionais, além de renovar o
compromisso com a inovação, a transparência pública e o fortalecimento do Poder
Judiciário como instituição essencial à ordem constitucional e democrática.
Após a
leitura, o desembargador Heráclito Vieira de Sousa Neto, presidente do
Consepre, destacou o papel do encontro na interlocução entre os atores do
sistema de Justiça. “Foram momentos de discussão e de busca por um caminho
seguro para que nós, gestores, e os milhares de servidores e de magistrados do
país, continuemos na busca por aperfeiçoamento e entrega de um serviço de
qualidade”. O presidente do TJSP, desembargador Francisco Loureiro, proferiu
palavras de agradecimento e encerrou a vigésima edição do Consepre. “Quero
agradecer a presença de todos. Foi um prazer tê-los aqui. São Paulo estará
sempre de braços abertos para recebê-los.”
Participantes
Também
compuseram a mesa condutora dos trabalhos os integrantes do Conselho Superior
da Magistratura do TJSP, desembargadores Luís Francisco Aguilar Cortez
(vice-presidente), Silvia Rocha (corregedora-geral), José Damião Pinheiro
Machado Cogan (decano), Roberto Nussinkis Mac Cracken (presidente da Seção de
Direito Privado), Luciana Almeida Prado Bresciani (presidente da Seção de
Direito Público) e Roberto Solimene (presidente da Seção de Direito Criminal).
Também
participaram do XX Consepre os representantes dos tribunais, desembargadores
José Edivaldo Rocha Rotondano (presidente do TJBA), Suely Lopes Magalhães
(vice-presidente do TJRJ), Ricardo Tadeu Bugarin Duailibe (presidente do TJMA),
Luiz Gonzaga da Costa Neto (presidente em exercício do TJPA), Francisco
Bandeira de Mello (presidente do TJPE), Luiz Carlos de Azevedo Corrêa Junior
(presidente do TJMG), Vicente de Oliveira Silva (presidente eleito do TJMG),
Leandro Crispim (presidente do TJGO), José Zuquim Nogueira (presidente do
TJMT), Eduardo Uhlein (presidente do TJRS), Fred Coutinho (presidente do TJPB),
Janete Vargas Simões (presidente do TJES), Aderson Antonio Brito Nogueira
(presidente do TJPI), Rubens Schulz (presidente do TJSC), Fábio José
Bittencourt Araújo (presidente do TJAL), Iolanda Santos Guimarães (presidente
do TJSE), Jomar Ricardo Saunders Fernandes (presidente do TJAM), Airton Luís
Corrêa Gentil (vice-presidente do TJAM), Lidia Maejima (presidente do TJPR),
Laudivon de Oliveira Nogueira (presidente do TJAC), Jair Oliveira Soares
(presidente do TJDFT), Dorival Renato Pavan (presidente do TJMS), Alexandre
Miguel (presidente do TJRO), Maysa Vendramini Rosal (presidente do TJTO), Jayme
Henrique Ferreira (presidente do TJAP), Leonardo Pache de Faria Cupello
(presidente do TJRR) e desembargadores militares Silvio Hiroshi Oyama
(presidente do TJM-SP), Osmar Duarte Marcelino (presidente do TJM-MG) e Rodrigo
Mohr Picon (presidente do TJM-RS).
Na quinta-feira (14),
foi realizada reunião técnica exclusiva das assessorias de comunicação
dos tribunais. Participou, pelo TJMRS, o jornalista Marcelo Nepomuceno.