Balanço Curso Ambientes Seguros: Vidas Protegidas Palestra debateu sinais e prevenção da violência doméstica no ambiente institucional
A palestra da advogada e desembargadora eleitoral do TRE/RS, Caroline Agostini Veiga, integrou a programação do curso Ambientes Seguros: Vidas Protegidas, promovido pelo Tribunal de Justiça Militar do Rio Grande do Sul. A atividade ocorreu no contexto da Semana Nacional de Enfrentamento ao Assédio, no dia 8 de maio, e teve como foco central a identificação de sinais e a prevenção da violência doméstica sob uma ótica de ampliação do olhar institucional.
Durante a exposição, a palestrante propôs a superação de um
modelo meramente reativo — focado apenas em fatos comprováveis e juridicamente
enquadráveis — em favor de um modelo preventivo baseado na percepção
antecipada. Caroline apresentou dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
indicando que o Brasil registrou, em 2025, uma média de 1.568 feminicídios, um
crescimento de 14,5%. Ela ressaltou que a violência instalada representa,
muitas vezes, uma falha na percepção prévia dos sinais.
Um dos pontos de destaque foi a desconstrução do mito
do perfil do agressor, que muitas vezes possui histórico funcional
positivo, é disciplinado e respeitado no ambiente de trabalho. A desembargadora
detalhou as faces da violência previstas na Lei Maria da Penha — física, moral,
psicológica, patrimonial e sexual — enfatizando que a agressão física raramente
é o primeiro episódio, sendo frequentemente antecedida pela violência
psicológica, que atua na subjetividade e gera dependência emocional.
A palestrante listou indicadores institucionais que podem
sinalizar que uma colaboradora está em situação de violência, como queda de
rendimento, atrasos injustificados, mudanças abruptas de comportamento e
isolamento progressivo. Caroline defendeu o acolhimento técnico como o primeiro
passo para a proteção, pautado pela discrição, respeito e ausência de
julgamento, visando a interrupção do ciclo da violência.
O curso Ambientes Seguros: Vidas Protegidas foi promovido pela Comissão de Prevenção e
Enfrentamento do Assédio Moral, do Assédio Sexual e da Discriminação do TJMRS,
com apoio da Escola Judicial Militar. A capacitação reforçou a missão das
instituições de acolher, perceber e encaminhar casos, concluindo que o
aprimoramento normativo não é suficiente sem o aprimoramento da percepção
institucional.